14 de maio de 2019

Parcerias da IBM, Microsoft e Accenture com museus do Rio e São Paulo combinam elementos tradicionais das artes plásticas com os avanços da revolução digital

VISITANTES PODEM VER SEUS POSTS DO INSTAGRAM NA MOSTRA MUSEUM ME, NO CENTRO CULTURAL DO BANCO DO BRASIL, EM SÃO PAULO. (FOTO: DIVULGAÇÃO)

 

De um lado, museus à procura de soluções para aumentar o público. Do outro, empresas de tecnologia dispostas a testar e desenvolver suas soluções de inteligência artificial. O resultado são exposições interativas que combinam elementos tradicionais das artes plásticas com os avanços da revolução digital. Um exemplo disso é a mostra Museum Me, em cartaz no Centro Cultural do Banco do Brasil, em São Paulo, com patrocínio da Accenture.

“Achamos que seria interessante criar uma experiência personalizada para o público que vai aos museus, usando a inteligência artificial para gerar emoções”, diz Eco Moliterno, CCO da Accenture Interactive. Segundo ele, a parceria faz parte da nova estratégia da empresa. “Hoje, o foco da Accenture está no desenvolvimento de tecnologias ligadas à biometria do coração e seu uso como métrica para experiências com consumidores. A exposição vai nos ajudar a elaborar essa estratégia.”

O objetivo da exposição Museum Me é provocar uma imersão do visitante no universo de sua publicações nas redes sociais. Em uma sala fechada, três paredes cobertas de espelhos refletem um conjunto de monitores com as postagens do visitante no Instagram. Cercado pelo seu próprio conteúdo, ele faz um mergulho em momentos especiais de sua vida online e offline.

Outra empresa que está levando a inteligênai artificial para o público dos museus é a Microsoft. A companhia forneceu os recursos tecnológicos para que artista Kátia Wille criasse três obras interativas, que representam o corpo humano em movimento. As peças estão na exposição Das Tripas do Coração, em cartaz no Museu da República, no Rio de Janeiro. Feitas com membrana em látex, sensores e sistemas de inteligência artificial, as obras mudam de formato quando reconhecem a aproximação de alguém. “Queremos democratizar a inteligência artificial, fazendo com que atinja o maior número possível de pessoas”, diz Maísa Penha, diretora de tecnologia para parceiros e IA da Microsoft na América Latina.

Uma das obras identifica padrões emocionais do visitante: se ele estiver sorrindo, a representação do coração expande; se estiver sério, retrai. Segundo Maísa, o uso da tecnologia em museus traz benefícios tanto para a empresa, quanto para os museus. “Os visitantes testam diferentes movimentos para ver como as obras irão reagir. Dessa maneira, acabam passando mais tempo não só na exposição, mas também visitando o acervo da instituição.”

Em 2017, a Pinacoteca de São Paulo viu seu público aumentar 20% (em relação à média) quando passou a usar o sistema de inteligência artificial Watson, da IBM. Por meio de um dispositivo móvel, os visitantes podiam fazer perguntas inusitadas para sete obras do acervo do museu. O sistema, que permaneceu ativo de abril a dezembro daquele ano, estava pronto para responder que o O Mestiço, de Cândido Portinari, torcia para o time do Corinthians, por exemplo.

Segundo Fabrício Barth, líder técnico de data & IA da IBM, a parceria foi uma oportunidade de mostrar os diferentes usos do Watson, um sistema mais conhecido por suas aplicações nas áreas financeira e de saúde. “Pudemos testar o impacto dessa tecnologia e os seus benefícios, tanto para o museu quanto para o público em geral”, afirma.

A empresa adapta suas tecnologias de acordo com a proposta de cada instituição. No Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, as exibições são focadas em tecnologia, saúde e ciência. Por isso, a IBM desenvolveu uma assistente virtual, a IRIS+, que interage com os visitantes, respondendo dúvidas e perguntando o que estão fazendo para resolver problemas ambientais, sociais ou culturais. “No futuro, com certeza todo mundo vai estar usando esse tipo de tecnologia. Então essa é uma oportunidade de habilitar o público para esse tipo de interação”, diz Fabrício.

Algumas dessas parcerias, porém, têm data de validade. Segundo a IBM, o uso do Watson na Pinacoteca foi restrito a alguns meses por causa do custo de manutenção – a empresa ainda não foi encontrou uma forma de viabilizar o projeto. No Museu do Amanhã, a instalação da IRIS+ ficará somente até o final de 2020, pelo mesmo motivo.

Mesmo assim, a tendência é que o uso de IA nos museus continue crescendo. “A tecnologia complementa, dialoga, traz novas possibilidades aos visitantes. Ao mesmo tempo em que atrai um novo público, proporciona uma experiência a mais para quem já costumava visitar as exposições”, diz Paulo Vicelli, diretor de relações institucionais da Pinacoteca, que oferece wi-fi-gratuito aos visitantes e já fez parcerias com Google e Spotify. “Estamos planejando novas instalações para o público. Queremos que a Pinacoteca seja tech friendly.”

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